OS EFEITOS DO PROTECIONISMO GLOBAL NA ECONOMIA CAPIXABA EM PAUTA NO CANEG

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O economista e professor Felipe Storch proferiu palestra na 224ª edição do CANET – Café de Negócios da ASES – Associação dos Empresários da Serra, na manhã da quarta-feira, 14, para o crescente público do evento mensal da entidade. O economista tratou dos impactos do protecionismo americano para a economia capixaba, quando fez uma avaliação global das tensões político-econômicas entre Estados Unidos e China acentuadas pela guerra das sobretaxas comerciais, momentaneamente contida por uma trégua de 90 dias com a redução das taxas originais.

O economista destacou o caráter volátil da economia com algumas incertezas e observou que o expediente de sobretaxação de importações é recurso do arsenal da guerra comercial que eventualmente adota outras medidas como barreiras alfandegárias, sistema de cotas ou barreiras sanitárias.

Ele afirmou que tais medidas restringem as vantagens comparativas de países que são mais competitivos comercialmente por disporem de fatores produtivos de menores custos. Lembrou que o Brasil é protecionista, restringindo o acesso aos seus mercados e agora os Estados Unidos, tradicionalmente liberais nesse aspecto passam a adotar esse comportamento.

ANTECEDENTES

O professor acentuou que as restrições americanas são contundentes para a China que exporta para os EUA US$ 400 bilhões, valor que mobiliza uma larga cadeia de pequenos industriais chineses.  Repassou antecedentes nesse tipo de litígio com os conflitos EUA-Japão, nos anos 80, o conflito dos EUA com a União Europeia em 2022 pela questão do aço e a guerra comercial entre EUA e China entre 2018 e 2020.

Storch falou do desafio que os EUA enfrentam com a queda de sua atividade industrial que reduz emprego para um americano médio de baixa escolaridade, privando-o de possibilidade de ocupação. Isso tem inspirado o “Mãe América Great Again”, do presidente Donald Trump, pretendendo que o país retome níveis de produção industrial do passado. Os Estados Unidos têm um crônico déficit comercial para atender ao seu consumo, mas com as operações mundiais lastreadas no dólar essa situação é administrável. Mas a questão, ressaltou o economista, não se trata de equilíbrio comercial, mas de geopolítica: Trump quer impedir o crescimento chinês, pelo menos se isso custar o desemprego dos seus compatriotas.
Segundo Storch isso também é a motivação de Trump contra os imigrantes, que disputam o mercado interno norte-americano de trabalho e concorrem aos empregos que ocupariam os americanos.

No cenário atual, segundo Storch, cresce a tendência de regionalização das cadeias de suprimento de modo a que os insumos e componentes fiquem menos expostos a problemas conjunturais. Nos EUA, se setores industriais festejam a radicalização de Trump, as empresas que dependem de exportações reclamam. O impacto na economia chinesa também é considerável porque afeta um vasto contingente de pequenas industriais que fornecem para as grandes atacadistas, como Shein. O economista lembrou que no primeiro governo Trump houve uma fuga de empresas radicadas na China para o México e o Canadá, no esforço de fugir aos efeitos da ação protecionista do presidente atual.

O ESPIRITO SANTO

Depois da contextualização mundial, o economista avaliou os impactos na economia capixaba que é mais voltada para o mercado externo do que o Brasil. Ele disse ser necessário que o Estado, exibindo há alguns anos, equilíbrio fiscal, deve privilegiar os investimentos em infraestrutura, inovação e tecnologia e aberturas comerciais. Ele destacou o papel importante do investimento na pesquisa e nisso o papel da Fapes – Fundação de Amparo à Pesquisa, pode ser catalizador desse processo e salientou a necessidade do Estado  atentar para as oportunidades de reposicionamento com a diversificação de mercados, como o Oriente Médio, a África e a América Latina, consolidar-se como centro logístico principalmente com investimentos ferroviários e portuários, incentivar a agregação de valor à produção com processamento de commodities e obter certificações que o habilitem a mercados mais exigentes.

Para o economista, as vantagens competitivas do ES, ensejadas pela localização e infraestrutura devem orientar prioridades estratégicas como o foco na inovação e produtividade, otimização da logística, a diversificação de mercados e a qualificação da mão de obra.

O EVENTO

A 224ª edição do Caneg, o maior evento de congraçamento municipal do município, lotou as dependências do Cerimonial Steffen, onde se realiza mensalmente. A vice-presidente Leonelle Lamas recepcionou os presentes em nome do presidente Fábio Junger, mencionou o crescimento da entidade, particularmente das mulheres que já ultrapassam o número de associados masculinos. E destacou a importância dos empreendedores da cidade apoiarem o projeto da Casa da Cultura que virá a preencher uma lacuna que não se justifica a partir do porte do município.

Na sequência, o superintendente do IEA, Max Alves, representando a Findes falou da parceria entre as instituições, seguido pelo diretor do Banestes, Fernando Valli Cardoso que também mencionou a pertinência da parceria entre as instituições e a atenção que particularmente o município da Serra recebe do banco.

Seis empresas tornaram-se associadas, Flexvix – Flexform no Espírito Santo, Fatura Expert, Irradiare Consultoria em Sustentabilidade, Tríade Consultoria, Life Soluções em Trânsito e Nutribussiness Distribuidora de Suplementos. O diretor de Relações com os Associados, KIeber Alves, fez uma breve fala a respeito da meta do quadro de associados e do necessário engajamento dos demais incentivando empreendedores que ainda não figuram nos quadros da Ases a fazê-lo.

Ainda antes da palestra mensal a entidade ofereceu reconhecimento e entregou brindes aos associados que trouxeram novas empresas para o seu quadro, caso da Indutiva Consultoria e Assessoria Empresarial, o grupo EMEC, o Laboratório Tommasi, a Divulgue Outdoor, a Nezus tecnologia, a Enjoy Work Coworking, a DIkma Facilities, a FJ Barros Representações e a Arjur Advocacia.